quarta-feira, 7 de março de 2012

foto: Mery Lemos

VEZES

Houve dias de perder de vista
e esquecer o custo
Houve dias de sair da rota
e lavar os muros

Algumas vezes
tecia a trama
Perfurava os pulsos
sem optar

Entre os lábios acesos:
Açúcar e sal.

(Ezter Liu)

domingo, 6 de novembro de 2011

foto: Mery Lemos

SECO

Carnes duras na manhã de cimento
pés descalços
com a fome de todos os dias
sem a euforia necessária ao grito
Tudo se cala
somente o silêncio de um urubu
em móbile de fios de nylon
Nesse céu de sabão em pó

(Ezter Liu)

terça-feira, 17 de maio de 2011

foto: Mery lemos

GOTA

Alguma preguiça
sei que escorre dessa calha
com salmos, saldo, látex, molas e orçamentos gratuitos

Os nervos nos eixos
e a velha fome de canto de unha
Vingativa... quando fica escuro
Faço tudo caber
no meu frasco de perfume

sexta-feira, 9 de abril de 2010

foto: Juliano Holanda

DEPOIS

Enroscar as coxas
na colcha de retalhos

e catar os cacos
do frasco no chão

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

foto: mery lemos


VELEIDADES

Há dias assim. Em que é preciso. Que os cristais escorreguem da estante. E os livros mofem na prateleira. Há dias. Em que é preciso. Que o juízo todo vire absurdo impensável. E certezas velhas virem idéias vagas. Dissolução de valores. Desarmamento de braços. De ombros. De ancas. Profusão de caleidoscópio. Entre ácido ócio vício e vértice. Sobre o cáustico e o caótico. Entre as pernas e as sobras. Sobre os olhos e a fresta. Há dias assim. Em que é preciso. Considerar o tamanho da alma na dimensão do alpendre.