sexta-feira, 3 de abril de 2015

ARESTA 

No sólido geométrico com quinas de papelão 
O dentro a dentro 
não cabe o pulso 
O dia a dentro 
não sabe o quanto 
O espaço pouco 
 não cabe o sopro 
ferve 
cansa 
desiste 
encolhe os ombros:
origama-se.


segunda-feira, 30 de março de 2015

O mundo tem miopia
Eu enxergo mal na luz do dia
As coisas têm mistérios
Eu, descrenças.

Aviso: não é possível fotografar o volume da minha gargalhada
todos os dias distribuo à multidão esfomeada
cinco pães e duas alegrias

tenho precisado andar sobre as águas
e ando
acreditando mais em pedras que em profundezas.








quarta-feira, 7 de março de 2012

foto: Mery Lemos

VEZES

Houve dias de perder de vista
e esquecer o custo
Houve dias de sair da rota
e lavar os muros

Algumas vezes
tecia a trama
Perfurava os pulsos
sem optar

Entre os lábios acesos:
Açúcar e sal.

(Ezter Liu)

domingo, 6 de novembro de 2011

foto: Mery Lemos

SECO

Carnes duras na manhã de cimento
pés descalços
com a fome de todos os dias
sem a euforia necessária ao grito
Tudo se cala
somente o silêncio de um urubu
em móbile de fios de nylon
Nesse céu de sabão em pó

(Ezter Liu)

terça-feira, 17 de maio de 2011

foto: Mery lemos

GOTA

Alguma preguiça
sei que escorre dessa calha
com salmos, saldo, látex, molas e orçamentos gratuitos

Os nervos nos eixos
e a velha fome de canto de unha
Vingativa... quando fica escuro
Faço tudo caber
no meu frasco de perfume

sexta-feira, 9 de abril de 2010

foto: Juliano Holanda

DEPOIS

Enroscar as coxas
na colcha de retalhos

e catar os cacos
do frasco no chão