TRALHA
Do que você precisa? de uma casa, abrigo, carapaça? Do quê? De um ombro? Ouvidos? Precisa de ares, de mares, de muros? Do quê? Diga! De filhos? De força? De aparelho de jantar? De móveis para arrastar? Você precisa de dentes? De garras? Precisa de razão? De segunda opinião? De um tempo? De um parque de diversão? Você precisa de um leque? Um box fumê? Um prato para bolo? Bolas de isopor? De latas vazias? Pedaços de fio? Caixas? Retalhos? Revistas? Você precisa do molho? Da raiz forte? Precisa da berinjela? Restos de linha, zíperes? Auto-falantes recondicionados? Precisa da cadeira? Precisa da persiana? Do corrimão? De um pouco mais de tesão? Precisa da poeira? Do lodo? Você precisa do toldo? Diga! Do quê? -das garrafas, ou do algodão doce? -do furo, ou do remendo no fundo? Do quê? Das provas antigas? Do clipe? Da liga? Precisa? Vinis? Disquetes? Cassetes antigas? Precisa da cutícula? Tijolos? Cacos? (mosaico?) Precisa dos rascunhos? Do bloco? Do pote com botões? Você precisa das sacolas plásticas? Do ralo? Do brinco que perdeu o par? Precisa de sapatos, de gatos? Diga! Do que você precisa? Precisa do banco de trás? Da calha? Da folha? Precisa dos copos de requeijão? Precisa da festa? Da taça? Ou do chão? Diga? De inglês? De hispano-alemão? Você precisa de alarme? De badalo? De pinguelo? O quê, então? Você precisa comparecer? Recadastrar? Apertar o botão? Fazer login? Ir? Voltar? Precisa parar pra poder pensar? Diga! Do que você precisa?
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Giz
No branco cabe tudo
Cabe silêncio e
Cabem palavras
O branco das nuvens e luas
Branco de séculos e
alvas luzes
O branco abriga o horizonte
e o alpendre
Abriga as horas
e a insônia
No branco entorno de olhares
Passeiam peixes, aves, aventais
Deslizam sedas e lençóis
O branco outubro de cal e parede rachada
O branco de rosas
e lírios
Branco de espaços
e manhãs
Destina o velho
Imemorável, desnudo e puro
No branco, página infértil
Cabem rendas, respingos
E pouco suor
O branco de alameda deserta
O branco de prata
e espuma
De laços chumaços
e algodão
De galho seco enfim,
de tarde estalando
No branco de areia
Pegadas, conchas e pequenos seixos
Branco de ausências
De fundo de tela e véu
O branco alvura de anil alvejante
Luz de sol porém
Algum meio-dia
Vida em branco
Branco de paisagem nenhuma
de velas apagadas, estéreis
No branco o abrigo de rancores
Saudades, partidas e vagas
Abrigo de notas, de acordes
Olhos fechados, contas mal feitas
O branco do eco dos passos
Na noite da rua deserta
Medo estampado e branco
O salto e o solo: manhã. Tudo é ainda recente e branco
Caberiam livros, talvez
Talvez pássaros
...O nascer de homens e de pássaros é branco...
O branco é a porta
Da gaiola
Aberta
ao
nada
(Liu)
No branco cabe tudo
Cabe silêncio e
Cabem palavras
O branco das nuvens e luas
Branco de séculos e
alvas luzes
O branco abriga o horizonte
e o alpendre
Abriga as horas
e a insônia
No branco entorno de olhares
Passeiam peixes, aves, aventais
Deslizam sedas e lençóis
O branco outubro de cal e parede rachada
O branco de rosas
e lírios
Branco de espaços
e manhãs
Destina o velho
Imemorável, desnudo e puro
No branco, página infértil
Cabem rendas, respingos
E pouco suor
O branco de alameda deserta
O branco de prata
e espuma
De laços chumaços
e algodão
De galho seco enfim,
de tarde estalando
No branco de areia
Pegadas, conchas e pequenos seixos
Branco de ausências
De fundo de tela e véu
O branco alvura de anil alvejante
Luz de sol porém
Algum meio-dia
Vida em branco
Branco de paisagem nenhuma
de velas apagadas, estéreis
No branco o abrigo de rancores
Saudades, partidas e vagas
Abrigo de notas, de acordes
Olhos fechados, contas mal feitas
O branco do eco dos passos
Na noite da rua deserta
Medo estampado e branco
O salto e o solo: manhã. Tudo é ainda recente e branco
Caberiam livros, talvez
Talvez pássaros
...O nascer de homens e de pássaros é branco...
O branco é a porta
Da gaiola
Aberta
ao
nada
(Liu)
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Oriente
Os números diziam coisas óbvias que ela
Contudo não compreendia
O tempo e a direção das coisas eram um mistério
Não sabia de que lado vinha o vento, por não saber de que lado vinha o sol
Nas pernas de louça uma força de macho
Nas costas envergadas um peso
suportável
No silêncio que trazia consigo: todas as palavras do mundo
E o mundo
Este
Não era possível descrever
Contudo não compreendia
O tempo e a direção das coisas eram um mistério
Não sabia de que lado vinha o vento, por não saber de que lado vinha o sol
Nas pernas de louça uma força de macho
Nas costas envergadas um peso
suportável
No silêncio que trazia consigo: todas as palavras do mundo
E o mundo
Este
Não era possível descrever
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Dias
Em estado de céu
-pleno de lágrimas suspensas
Ela sonda o verso
-esquivo e fraco.
Filtra o tempo entre fronhas azuis
e olha solene a flor que pendula
no arco de secos galhos
-pleno de lágrimas suspensas
Ela sonda o verso
-esquivo e fraco.
Filtra o tempo entre fronhas azuis
e olha solene a flor que pendula
no arco de secos galhos
sábado, 11 de outubro de 2008
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